A finlândia planeja permitir que os trabalhadores vejam o que seus colegas ganham para reduzir a diferença salarial: uma especialista espanhola garante que ela poderia ajudar a negociar aumentos salariais

Os políticos finlandeses propuseram um projeto de lei que permitirá aos trabalhadores ver o quanto seus colegas ganham.

O ministro da igualdade, Thomas Blomqvist, apontou à Reuters que a política proposta visa reduzir a diferença salarial entre homens e mulheres na Finlândia. Os homens na Finlândia ganharam, em média, 17,2% mais do que as mulheres em 2020, segundo a OCDE.

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Alguns grupos de empresários finlandeses criticaram a proposta, alegando que ela provocará conflitos entre os trabalhadores, uma opinião comumente expressa por aqueles que se opõem à transparência salarial, que ainda é considerada um tabu em muitos locais de trabalho no Reino Unido e nos Estados Unidos. Alguns trabalhadores são proibidos de dizer aos colegas o quanto eles cobram.

No entanto, ser mais transparente pode ajudar a reduzir as diferenças salariais, explica Almudena Sevilla, professora de economia e políticas públicas da University College London e presidente do Comitê de Mulheres da Royal Economic Society, à Business Insider.

De acordo com sua pesquisa sobre o impacto da transparência salarial nas universidades britânicas, a diferença salarial entre homens e mulheres caiu 4,37% nos anos após a publicação dos salários dos acadêmicos em 2007. Este declínio foi em grande parte devido ao fato de que os acadêmicos negociaram salários mais altos ou se mudaram para universidades nas quais a remuneração era mais equitativa, de acordo com a pesquisa.

”Quando há transparência salarial, quando se conhece o salário, os indivíduos reagem e pedem salários mais altos ou se mudam de empresa para conseguir esses salários mais altos”, comenta Sevilla A Business Insider.

A diferença salarial de gênero refere-se à diferença na renda bruta anual entre homens e mulheres. Influenciam múltiplos fatores, entre eles, que há mais homens em cargos de responsabilidade.

Quanto ao impacto mais profundo do que a transparência salarial, os estudos tendem a ser divididos. Alguns sugerem que os funcionários estão menos motivados quando sabem que seus colegas cobram mais, mas outros estudos discordam.

Outro documento de trabalho descobriu que a transparência salarial levou a uma redução nos salários médios em algumas organizações. Os empresários se recusaram a negociar com um único funcionário para não ter que aumentar o salário dos outros, de acordo com o documento.

Sevilha explica que o impacto da transparência salarial depende de quão justa uma pessoa percebe sua organização e de como as empresas individuais se comunicam com sua equipe.

A política da Finlândia representa ”o próximo passo” na legislação salarial
A finlândia não é o primeiro país a defender a transparência das diferenças salariais entre homens e mulheres.

Na Dinamarca, por exemplo, as empresas com 35 ou mais empregados têm de publicar informações salariais específicas por género.

No Reino Unido, empresas com mais de 250 funcionários têm que publicar sua diferença salarial de gênero desde 2017. A diferença salarial entre os sexos diminuiu ao longo do tempo, de acordo com números do Bureau of National Statistics, embora o relatório tenha sido interrompido pela pandemia.

Nos Estados Unidos, alguns estados —como Califórnia, Connecticut, Nevada, Colorado e Rhode Island— introduziram ou estão em processo de introduzir legislação que diz que os empregadores devem fornecer aos candidatos a emprego mais informações sobre o quanto pagam aos seus funcionários atuais. O Colorado é o que vai mais longe, exigindo que os empreendedores facilitem faixas salariais em todos os anúncios de emprego.

No caso da Espanha, no passado mês de abril já foi implementado um registro salarial por sexos com o mesmo objetivo, a transparência. Inclui as remunerações do pessoal discriminadas por género nos três conceitos salariais que figuram no Estatuto dos Trabalhadores: Salário, complementos e percepções extra-salariais.

Com esta informação o que se pretende é obter informação suficiente para detectar as situações de discriminação directa e indirecta que possam ocorrer nas empresas

A proposta da Finlândia, que ainda está sendo elaborada e que o governo espera aprovar até abril de 2023, pode ser ”o próximo nível” em matéria de transparência salarial, segundo Sevilha, porque dará às pessoas dados mais específicos com os quais negociar aumentos salariais.

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